terça-feira, 23 de maio de 2017

BOLETIM INFORMATIVO

BOLETIM INFORMATIVO  01/2017
Vitória 23/05/2017




Apresentação
O presente boletim informativo tem a função de unificar em um só documento, de maneira sucinta, as atividades desenvolvidas pela AME-ES no cumprimento de seus objetivos estatutários, em seu curto espaço de vida, desde sua criação até os dias atuais.     

Breve Histórico 
Foi outro dia mesmo, em 20/08/2016, ocorreu nossa assembleia de fundação e aprovação do estatuto. Nosso Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica- CNPJ só surgiu no ano de 2017, quase no final do mês de janeiro.
Durante esse curto período de tempo, que totaliza quase 9 meses, procuramos trabalhar intensivamente para desenvolver e favorecer o conjunto da atividade da meliponicultura no Estado do ES, com consequente filiação de novos associados, sendo que hoje somos aproximadamente 50 membros.

Nossa atuação despretensiosa e constante iniciou-se com a exposição de orquídeas  no Parque da Vale, no início do mês de setembro de 2017, quando expomos nossas abelhas, dando continuidade aos trabalhos de sensibilização para com as abelhas sem ferrão (ASF) que seus fundadores já faziam, de maneira voluntária, nos últimos 10 anos no Estado do ES.
O primeiro projeto “Programa de Meliponicultura da Foz do Rio Doce”, exclusivo da AME-ES e com objetivo de despertar o interesse da comunidade para a criação racional de abelhas nativas, como atividade laboral, comercial e de lazer, logo depois da sua primeira fase de implantação conseguiu parceiros, que com aporte de singelo recurso financeiro já está formando dezenas de meliponicultores e multiplicadores na região alvo. Representa um alento às comunidades afetadas pela tragédia ocorrida no Rio Doce, mas também já aqueceu a economia regional, com a comercialização de dezenas de colônias e de caixas vazias, quantitativos que podem em breve estar passando para centenas. Esse aquecimento do mercado, faz com que atividade de meliponicultura seja beneficiada coletivamente, favorecendo individualmente o criador, potencializado a produção, permitindo que aqueles que se dedicam a atividade como comércio possam oferecer qualidade e regularidade no fornecimento de meles, colônias e materiais.  

Já implantamos dois meliponários coletivos em nome da AME-ES, ambos com cessão de área em propriedades rurais, um nas proximidades dos limites da Unidade de Conservação sustentável da Área de Proteção Ambiental Morro do Valiante, no município da Serra e o outro na Zona de Amortecimento da Unidade de Conservação de Proteção Integral do Parque Estadual Pedra Azul, no Munícipio de Domingos Martins, esse último voltado ao objetivo maior da AME-ES, que é a conservação da uruçu capixaba.  

Com a Fibria, especificamente junto ao Programa de Desenvolvimento Rural Territorial – PDRT –, nas localidades de Boa Vista e Gimuhuna, no Munícipio de Aracruz estamos auxiliando na implantação de meliponários individuais, como piloto iniciando em 04 Unidades Familiares que atuam em sistemas agroflorestais com manejo agroecológico, visando a geração de renda e incremento dos serviços ambientais prestados pelas ASF nas agroflorestas.

Com a Vale, especificamente no Parque Botânico, já estamos atuando no “Plano de Fortalecimento das ASF”, visando incrementar o manejo racional das abelhas sem ferrão na área, incluindo aí diversas ações de capacitação, sensibilização, monitoramento e também implantação de meliponário.    

Com a Associação do Pessoal da Caixa Econômica Federal do Estado do Espírito Santo – APCEF – estamos dimensionando visando a implantação de um meliponário na área de preservação natural da sede da associação, visando diversificar e aumentar a população das espécies das ASF, desenvolver ações de educação através de cursos, capacitações e oficinas, incentivando aos associados da APCEF-ES a se tornarem meliponicultores urbanos e ou rurais.

Todas as ações que envolvem o manejo das ASF o fundamento principal é reconhecer as abelhas indígenas e a meliponicultura, como prestadoras de serviços ambientais de provisão, regulação e suportes culturais.

Fomos convidados para participar como membros do Comitê Gestor da Apicultora do Espírito Santo, que agrega vários órgãos públicos e sociedade civil para traçar a política da apicultura, e agora também graças a nossa atuação, da meliponicultura. Nossa participação será no sentido de conseguir a regularização de funcionamento, seja estadual ou municipal para os diferentes meliponários, legalização e facilidade no comércio do mel e de colônias de ASF, agilidade na emissão de GTA, recebimento de recursos para fomento da atividade, e a inclusão da meliponicultura nos planos de governo, tanto no âmbito produtivo e comercial, como também ambiental, garantido ganhos pessoais para todos os meliponicultores do Espírito Santo.

Quanto ao Poder Público, já estamos bem encaminhados com a Prefeitura de Vitória para a instalação de meliponarios nos Parques da Cidade, a inclusão da meliponicultura nas ações ambientais do município, formatação da legislação municipal, regulamentação de horário na aplicação de veneno para controle da Aedes Aegypti (fumacê), substituição de árvores com pólen toxico por plantas melífera, educação ambiental para tornar a população amiga das abelhas nativas, fazendo como que a meliponicultura se fortaleça, ajudando aos meliponicultores individualmente, observando que serão apenas os criadores  de Vitória, mas também os dos outros municípios, já que a política da capital, acaba por influenciar os outros municípios que procuraremos, uma vez concretizando o acordo de intensões na Capital.

Nosso programa de capacitação e nivelamento do associado já tratou de temas como pasto melífero, introdução aos conceitos da biologia e comportamento das ASFs, confecção de atrativo e iscas, diferentes conceitos de caixas racionais, nossas próximas capacitações vão trata de alimento energético e proteico
As ações executadas e brevemente descritas foram adotadas e negociadas com a preocupação de sempre atender nossos interesses estatutários, com benefício direto para a associação e seus associados, uma vez que em algumas das parcerias receberemos a médio prazo, colonias e caixas vazias. Sem contar com possibilidade, no caso da Prefeitura de Vitória, de conseguirmos um espaço para nossa sede executiva com espaço para guarda de materiais, incluindo uma lojinha.
Os meliponicultores envolvidos nos projetos e associados da AME-ES poderão criar as suas abelhas em meliponários coletivos ou mesmo hospedá-las por um período do ano.

As colonias que AME-ES irá receber serão utilizadas para as futuras práticas de manejos e aulas práticas. Serão também utilizadas para novos projetos de incremento da atividade e poderão ficar sob cuidado de associados, que poderão no futuro multiplicar, ficar com parte das divisões e agregar as outras em novos programas ou beneficiários de programas, sempre de maneira formal e transparente.
  
Esse é o sentido do associativismo: a união de pessoas para atender os objetivos em comum, antes dos individuais. No nosso caso, o objetivo comum é proteger as abelhas, a natureza e os interesses coletivos dos meliponicultores. Observamos que quando alguns interesses individuais passam a ser compartilhados por vários eles se tornam coletivos, dessa maneira está chegando a hora de fazermos um levantamento a respeito desses interesses e começarmos a atuar para que eles sejam garantidos. Isso, sempre em de acordo com nossas possibilidades financeiras, jamais contrapondo à Constituição Federal, o Código Civil Brasileiro, aos órgãos ambientais regulamentadores e fiscalizadores a nível federal, estadual e municipal, e, é claro, o nosso Estatuto. A associação somente pode fazer aquilo que a Lei e o Estatuto nosso permitem.

Com isso, acreditamos estar tendo como retorno o reconhecimento dos órgãos públicos, imprensa e sociedade civil, trazendo dessa forma benefícios individuais aos meliponicultores, mais especificamente aos nossos associados, lembrando que somos uma associação, isto é a união de pessoas que se organizam para fins não econômicos e não somos uma cooperativa, cuja finalidade é essencialmente econômica e seu principal objetivo é viabilizar o negócio produtivo dos associados junto ao mercado.

Muita coisa está mudando na meliponicultura nesses últimos meses, nossos meles agora são considerados legalmente como tal e a legislação está sendo discutida com intuito de facilitar a criação das ASF. Vamos construir isso JUNTOS !!!  


domingo, 21 de maio de 2017

PORQUE SER UM AME?

  “Preservar as abelhas nativas”.
  Este é o objetivo número um da AME-ES.
  “Participar e promover a proteção, conservação, preservação, recuperação e melhoria do meio ambiente são alguns dos outros”.
  E entre os demais objetivos, são estes que mobilizam e envolvem as pessoas associadas, que tem como base comum, o amor pelas abelhas, e pela natureza.
  A AME-ES tem feito o possível para colocar em prática ações que possibilitem o alcance desses objetivos.
  Fazer parte desse grupo, é estar perto de pessoas que têm em comum o interesse, e a disposição, em agir em prol das abelhas nativas, e do meio ambiente. Propiciando aprendizado e sentimento de pertencimento.
  Coletivamente podemos fazer mais em defesa de animais tão importantes, e que sofrem os mais diferentes tipos de dificuldade para sobreviver, e evoca sentimentos de que estamos fazendo a diferença para a preservação da natureza.
  Alguns ainda perguntam, o que é que eu ganho em fazer parte dessa associação?
  Penso que a pergunta que deveria ser feita é: o que posso fazer nessa associação para contribuir para a preservação das abelhas nativas?
  Um dia colheremos muitos frutos das sementes que estamos plantando hoje. Precisamos ter paciência e entender que alguns só querem colher, e rápido.
  E aos que estiverem dispostos a semear boas ideias, cuidar das abelhas, e contribuir para a preservação da biodiversidade, que venham fazer parte desse grupo.

Adriana Pessotti Bastos

Associada Fundadora AME-ES

sábado, 6 de maio de 2017

NORMATIZAÇÃO DA MELIPONICULTURA DEVE RECEBER MUDANÇAS EM BREVE

No último dia 27 de um grupo de meliponicultores apresentou para diferentes entidades uma proposta para alteração da atual norma reguladora. Segue um relatório independente preparado por alguns dos presentes. Ainda não saiu o  relatório oficial que será emitido pelo Ministério do Meio Ambiente


BREVE RELATO DA REUNIÃO NO MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE O presente relato (independente do relatório oficial) tem o objetivo de abordar os temas debatidos na reunião que foi realizada no ultimo dia 27/04/2017 pelo Ministério do Meio Ambiente, para discutir as possibilidades de mudanças e reformulação na Resolução CONAMA 346/2004. Participantes Estiveram presentes na reunião: • Representantes da Confederação Brasileira de Apicultura – CBA; • Analistas ambientais do IBAMA; Analistas do ICMBio; • Analistas do Ministério do Meio Ambiente; • Coordenadores da reunião (membros do Ministério do Meio Ambiente); • Pesquisadores da EMBRAPA; da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia- UFRB; • Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia- UESB; Universidade de São Paulo – USP; • PUC – Rio Grande do Sul; Universidade Estadual do Maranhão; Associação de Meliponicultores do Distrito Federal – AME – DF; • Federação Baiana de Apicultura e Meliponicultura – FEBAMEL; • Associação de Meliponicultores do Rio de Janeiro – AME – Rio; • Representante do Fórum Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos; • Federação de Apicultores e Meliponicultores de Santa Catarina; • Outras Federações e MELIPONICULTORES de Goiás e Distrito Federal. Temas discutidos As discussões foram conduzidas pelos representantes do Ministério do Meio Ambiente que em todos os momentos se demonstraram abertos ao debate para a resolução dos principais gargalos que enfrenta a Meliponicultura. O representante do Ministério do Meio Ambiente relatou inicialmente que já havia tratado com a CBA a respeito da necessidade das mudanças na Resolução 346/2004 para atender as demandas da Meliponicultura brasileira. Principais temas discutidos foram: • Limite de colmeias e procedimentos de cadastro; • Cadastro Técnico Federal simplificado; • Espécies criadas em regiões geográficas diferentes de sua origem; • Propostas de alteração da Resolução 346 recebidas formalmente; • Proposta de minuta da Resolução alterada; marcos legais da criação de abelhas no Brasil; • Casos específicos da Melipona scutellaris (uruçu nordestina) e da Melipona capixaba. Limite de colmeias Após diversas justificativas e falas dos representantes das entidades a respeito do número limite de 49 colônias, ficou acordado por unanimidade que essa questão deverá ser mudada, tornando a atividade sem um número limite para criação. Cadastro Técnico Federal Quanto a necessidade de registro no Cadastro Técnico Federal (CTF), o representante do Ministério do Meio Ambiente e demais analistas presentes relataram que por força da legislação, não se pode isentar. Entretanto, entendem que é fundamental simplificar os procedimentos, saindo do processo trifásico (1.Cadastro/2.Autorização de instalação/3.Autorização de uso e manejo) para o monofásico que seria somente o preenchimento dos formulários do CTF e emissão de relatório anual de regularidade. Estas (CTF e Relatório Anual) seriam as duas coisas indispensáveis para cadastramento do meliponário, sem prejuízo da comercialização dos produtos das colmeias tais como enxames, discos, mel, própolis, samburá e outros. Em resumo ficou acordado que o CTF é necessário, mas será simplificado de forma que fique claro para o Meliponicultor os procedimentos de preenchimento do cadastro. Entre as simplificações, estão: 1) A inserção da atividade da Meliponicultura nos itens relacionados a categoria “uso de recursos naturais e atividades potencialmente poluidoras (CTF – 20)”; 2) A obtenção do Certificado de Regularidade – CR deixará de ser trimestral para ser anual em conjunto ao Relatório Anual de Atividades de forma simplificada. Transporte das abelhas Sobre a questão do transporte das abelhas, o representante do IBAMA relatou que por força da legislação, o transporte de abelhas silvestres somente poderá ser feito dentro de sua região geográfica de ocorrência natural, e mediante autorização emitida pelo Sistema Nacional de Gestão da Fauna Silvestre – SISFAUNA. O SISFAUNA é um sistema eletrônico de gestão e controle dos empreendimentos e atividades relacionadas ao uso e manejo da fauna silvestre em cativeiro em território nacional. Na reunião ficou claro que os procedimentos de transporte serão simplificados (segundo o representante do IBAMA, “depois que já tem registro, dá para fazer a autorização de transporte em 5 minutos”) e terão validade de 90 dias, mas sem prejuízo das exigências de outras instancias públicas. Continua sendo proibido o transporte de abelhas nativas fora de sua região geográfica de ocorrência natural, exceto para fins científicos. Sobre o forrageamento (transporte temporário de colônias para alimentação das abelhas e polinização dos campos) feito dentro do município e com espécies de ocorrência na área do Estado, foi dito que será feita a verificação se somente a autorização de manejo (cadastro simplificado) poderá servir como autorização para esta modalidade de transporte. O Meliponicultor poderá ter mais de um meliponário em mais de um município. Por força de Lei, as atividades envolvendo espécies de abelhas nativas para fins científicos serão autorizadas pelo SISBIO/SISFAUNA. Para fins científicos, o transporte poderá ser feito fora da região geográfica de ocorrência natural com autorização do Sistema de Autorização e Informação em Biodiversidade - SISBIO. O SISBIO é um sistema de atendimento à distância que permite a pesquisadores solicitarem autorizações para coleta de material biológico e para a realização de pesquisa em unidades de conservação federais e cavernas. Proposta para classificação de uma lista de espécies em “domésticas” Sobre a questão de tornar abelhas nativas “domésticas”, o Analista Ambiental do IBAMA disse que por força de Lei, para ser doméstica, teria que ser exótica, ou proveniente de seleção artificial, ou dependência de manejo do homem. Então, na legislação atual não se pode domesticar animal silvestre, e a resolução não tem poderes para mudar a lei. Melipona capixaba Sobre a Melipona capixaba, o representante do ICMBio e outros representantes, disseram que será necessário um “adendo” especial tendo em vista as especificidades que envolvem a espécie. Outros representantes destacaram que a necessidade da realização de outros estudos sobre a possível hibridação da M. capixaba com M. scutellaris e que será mesmo necessário essa atenção especial para essa espécie e os cuidados no manejo; Possuidores de espécies que não ocorrem no estado Quanto as demais espécies de diferentes áreas de ocorrência natural e que já foram disseminadas por todo o Brasil, especialmente a uruçu nordestina, deverá ser “mantido como está”. Foi usado o termo “congelamento”, ou seja quem já está criando, vai manter a criação, sua reprodução e exploração de seus produtos, mas no local onde se encontram, não sendo permitido vender, comprar, trocar, doar, e transportar as colônias fora de sua região de ocorrência exceto para fins científicos. Agrotóxicos e combate a vetores de doenças A Resolução terá um artigo que tratará da necessidade da fiscalização e proteção das abelhas sem ferrão em relação à aplicação de agrotóxicos e pulverização para o controle do Aedes aegypti. Encaminhamentos seguintes A proposta votada do Grupo Leis da Meliponicultura foi lida e entregue ao representante da CBA que encaminhará formalmente ao Ministério do Meio Ambiente como proposta do grupo. Todas as propostas, bem como os temas expostos na reunião, serão levados em conta para consolidação da revisão da 346. A revisão será encaminhada para os representantes e ocorrerá nova reunião para debate da minuta. O itens debatidos ainda não estão O itens debatidos ainda não estão em vigor, mas o Ministério do Meio Ambiente pediu celeridade nesses encaminhamentos.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

O PROGRAMA DE MELIPONICULTURA FOZ DO RIO DOCE CHEGA A POVOAÇÃO

         Tendo iniciado em Regência e se expandido também para Entre Rios, agora é vez do Distrito de Povoação, Linhares, receber a AME-ES para a implantação do Programa de Meliponicultura da Foz do Rio Doce.
         Os moradores receberão treinamento de iniciação em meliponicultura nos dias 22 e 23/04. A formação continuará on line, e se necessário, em mais visitas.
         A meliponicultura será implantada em Povoação, inicialmente com três espécies: jatai, mandaçaia e uruçu amarela. Parte dos participantes serão curador de colmeias, com acompanhamento da AME -ES, para posteriormente irem sendo desdobradas para contemplar os outros participantes e também futuros projetos sociais de meliponicultura da associação.
        O Programa de Meliponicultura da Foz do Rio é uma iniciativa da AME-ES com o Instituto Ecomaris e conta com apoio do Projeto Tamar.
         A inclusão de Povoação foi possível ser antecipada graças a recursos repassados pela COMFREM / BRASIL, AMEX com financiamento da VITALOGY FOUNDATION.
       



quinta-feira, 6 de abril de 2017

PROGRAMA DE MELIPONICULTURA NA FOZ DO RIO DOCE RECEBE APOIO

Em dezembro de 2016, a associação e o Instituto Ecomaris, com apoio do Projeto Tamar, iniciaram um programa de meliponicultura em Regência em Entre Rios, Linhares (ES). Registramos a ação nesse blog: https://ame-es.blogspot.com.br/2016/12/a-ame-es-inicia-programa-de.html

Na época, inauguramos um pequeno meliponario no Centro Ecológico do Projeto Tamar em Regência e em Entre Rios.
Apresentamos as abelhas para os participantes em uma exposição e com a utilização de  palestras. Nas duas localidades foram realizadas oficina de práticas de transferência.

Tendo conquistado a simpatia do movimento ambiental, o  nosso projeto foi indicado pelo Comunidade Regência Viva, dentre outros, à Comissão Nacional para o Fortalecimento das Reservas Extrativista e dos Povos Costeiros Marinhos (CONFREM); que havia recebido um aporte através da Vitalogy Foundation, braço social da banda norte - americana Pearl Jam, que doou a arrecadação de um show em 20 de novembro, em Belo Horizonte (Veja mais aqui). A CONFREM nos contemplou com uma verba de R$ 7.110,00, sendo que já recebemos uma parcela.

Com a parcela inicial, no dia após a realização do II módulo da formação, no último dia 25, conseguímos a distribuição de 16 colonias em Regência e Entre Rios, sendo dez com a espécie jataí (Tetragonisca angustula) e seis de uruçu amarela (rufiventris-mondory).

Abelhas para o Programa de Meliponicultura da Foz do Rio doce.


Meliponarios foram instalados também na comunidade ribeirinha de Entre Rios. 

AME-ES E Instituto Instituto Ecomaris entregando enxames

Participantes vão cuidar das colonias para na primavera serem desdobradas para outros também receberem.


Alegria da Sônia, participante do Programa ao receber uma colônia para cuidar





Ainda no segundo módulo, o Biólogo Paulo Henrique D. Barros, fez uma apresentação explanando o o tema "Manutenção da Saúde e Alimentação das Colonias", tratando da prevenção como forma de se ter sempre os enxames fortes.



Paulo Henrique.

Judsmar Barbosa, o "Júlio", também agradou bastante aos participantes com uma oficina bastante participativa, onde foram fabricados os famosos "bombons de pólen" pelos participantes.

Com a mão na massa de pólen para a fabricação do alimento

Prática - "bombom de pólen"

Judsmar Barbosa ensinou a preparar alimentação artificial

Oficina de produção de alimento proteico.

Nessa etapa também foi realizada uma outra prática, quando foi multiplicado um enxame de  uruçu no meliponario, que foi fundado no primeiro módulo.

Divisão de Uruçu
Durante a revisão das abelhas jatai que foram instaladas ali quando da realização da oficina de transferência de PET, todos ficaram felizes ao ver como os enxames cresceram; ocupando agora, o comportamento de ninho por completo. Esse grande desenvolvimento dos enxames ainda jovens, não deixa dúvida a respeito da grande vocação da região da Foz do rio Doce para a meliponicultura. Aliás, o meliponario ganhou mais espécies, que vieram do plantel que estamos formando.
Enxames que foram transferidos de PET no Primeiro módulo cresceram muito


Enxame do meliponario da AME recebendo melgueira.
Em Povoação, o programa se iniciará no em em 22 e 23/04. Além da formação básica, nestes dois dias, haverá a entrega de 10 colonias  (jatai, mandaçaia e uruçu amarela), além de iscas e atrativos. 

No total, até o 23 de abril, ao final do primeiro módulo em Povoação, a AME-ES, terá deixado, no mínimo, 35 enxames na região, dentre os que estão no meliponario da AME-ES/TAMAR e nas residencias dos participantes,  polinizando e  divulgando a atividade.

Serão distribuídas, também, um total de 38 caixas racionais para a continuidade o Programa de Meliponicultura da Foz do Rio Doce.

E isso é apenas o começo. Estamos em busca de novos apoios para viabilizar uma expansão rápida do programa.

João Luiz Teixeira Santos
           Presidente



















sábado, 1 de abril de 2017

AME - ES EM PEDRA AZUL

No último dia 12, a AM-ES promoveu em parceria com o Instituto Canal, o seu  encontro na localidade de São Paulinho, Pedra Azul,

Tendo a Uruçu capixaba como principal tema, o encontro contou com participantes de diferentes municípios.

Thiago Branco tratou do tema Meliponicultura e Ecologia, onde abordou não só o retorno positivo da meliponicultura para ecologia, como discorreu sobre as responsabilidades dos criadores com o  meio ambiente.

Meliponicultura e Ecologia - Thiago Branco

Thiago defendeu que os criadores devem estar atentos, procurando serem  mantenedores apenas de espécies de ocorrência natural nos ambientes de seus meliponarios. Ele ressalta, que fica muito preocupado com a criação da espécie Melipona scutellaris (uruçu nordestina) no Espírito Santo, principalmente em regiões próximas dos locais mais indicados para a abelha capixaba,ou seja, nos locais com altitudes a partir de 600 metros.  A preocupação vem do fato de haver registro de casos de hibridismo entre as espécies.

E ele tem razão -  as duas espécies são irmãs, - existindo poucas diferenças genéticas entre elas. Os machos da uruçu nordestina são capazes de fecundar a rainha da uruçu capixaba, gerando híbridos férteis.

Participantes acompanhando a apresentação do Thiago Branco

Judismar Barbosa, o Júlio, falou sobre caixas racionais e alguns de seus diferentes modelos. Sugeriu a utilidade de ser procurar aqui, decidir um padrão, que pode ser caixa modelo Fernando de Oliveira (INPA), com os criadores de capixabas utilizando as mesmas medidas, para facilitar o intercambio de genética entre os criadores.

Julio explicou ainda, a teoria do processo de divisão nesse modelo, e aspectos gerais dos manejos,

Representando o Instituto O Canal, Sandro Firmino falou que o surgimento da AME-ES, foi fator decisivo para que ele e O Canal passarem a militar a favor da meliponicultura. Sandro falou sobre  Reserva Particular do Patrimônio Natural - RPPN. Na oportunidade, explicou que o Instituto O Canal está se preparando para registrar uma em Pedra Azul, e que vai juntamente com a AME-ES, trabalhar a meliponicultura no local, que pretende que seja um santuário onde as espécies nativas estejam protegidas.

Eu fiquei encarregado de falar sobre a Melipona capixaba, como matrimonio ambiental e também cultural do Espírito Santo - já que a criação da uruçu preta ocorre a muitas gerações.

Na oportunidade comentei que a nossa uruçu está ameaçada pelo fato  da área de ocorrência natural identificada até o momento ser bastante limitada, em torno de 3450 km ². Somando-se a isso, o fato de ter ocorrido nos últimos anos uma redução dos ninhos naturais, e a presença perigosa da uruçu nordestina, a espécie passa o correr mais riscos, estando em situação de perigo mais efetivo.

Embora esteja havendo um progressivo aumento na quantidade de colonias de capixabas em meliponarios, o risco da espécie permanece, já que dentro dos critérios científicos atuais, considera-se apenas a ocorrência natural, quando se avalia a situação de risco de uma espécie.

A legislação castradora acaba por se tornar um um problema para a melhoria da situação, uma vez que, enquanto ajudaria bastante um comércio efetivo dentro de uma área estratégica (regiões do ES com altitude acima de 600 metros), a legislação ambiental, engessa este avanço ao proibir o comércio de animais na lista.

A Melipona capixaba foi tema em Pedra Azul
 A preservação dessa espécie, que deve ser melhor conhecida pelos capixabas, deve passar pelo estabelecimento de um plano de ações bem montado, atuando em diversas frentes:
- Trabalho de conscientização para evitar a retirada ou morte de ninhos naturais;
- Formação continuada dos meliponicultores;
- Não retirada da área de ocorrência;  
- Ampliação da área de ocorrência, permitindo e incentivando a criação em todo o Estado do Espírito   Santo, desde que em locais com altitudes a partir de 600 metros;
- Adequação da legislação, com concessão de licenciamento ambiental simplificado;
Permissão de transporte dentro da região de montanhas;
- Melhoria da genética com migração das colonias dentro da área estratégica;
- Estabelecer um percentual de colonias de criadores que devem ficar sem manejo, a não ser  de      manutenção para enxameamentos para a natureza;
- Não criação da espécie da uruçu nordestina no Estado do Espírito Santo.



É dentro deste contexto que o Instituto o Canal e a AME-ES, lançaram neste dia a pedra fundamental de um criatório junto da área que será transformada em RPPN. Este meliponario ficará a disposição dos associados da AME - ES que pretendem criar a uruçu capixaba com fins preservacionistas, mas ainda não podem,  por não terem acesso a um espaço propício.

A intensão é que colonias dos mais diferentes locais fiquem concentradas nesse espaço, o que irá proporcionar troca de genéticas entre elas, e também, com as que já existem naturalmente no local.

Ocupando uma área total de 49 mil metros, no centro da área de ocorrência da espécie, o meliponario e a RPPN estarão próximos ao Parque da Fonte Grande e da bela Pedra Azul. Local. Perfeito para a meliponicultura, tanto que, bem próximo estão presentes 03 ninhos naturais da espécie melipona mandaçaia, que os participantes puderam conhecer. Um destes ninhos está em risco, pois a árvore está morta. Vem sendo monitorado e na próxima primavera será transferido para uma caixa.

E foi onde está sendo instalado o meliponario  coletivo da  AME - ES que aconteceu a parte teórica do I Encontro, com oficinas de divisão de mandaçaia e uruçu capixaba.

Divisão de Uruçu Capixaba - André e Ozenio
Associados conhecendo a área do meliponario coletivo e futura RPPN

Oficinas de Divisão 

Acesso ao meliponario e futura RPPN - Rogério, Adriana, João

Divisão de Uruçu Capixaba - André e Thiago

Thiago Branco, Caio e Sandro Firmino (fundo)
O meliponario será gerido pela AME-ES e Instituto o O Canal

Postagem de João Luiz T. Santos 






quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

MARÇO, MÊS DE EXPECTATIVA E ATIVIDADES

     Março será um mês intenso para meliponicultura do ES. No decorrer do mês ofereceremos três oportunidades - em lugares diferentes - para  trocar conhecimentos. Os eventos irão ocorrer ocorrer em Pedra Azul, Vitória e Linhares.  Além disso, iremos a Aracruz para uma importante reunião e continuaremos conversando com a PMV para dar sequência no estabelecimento de um plano de ação nos Parques da Cidade

 Fibria - 09/03: haverá uma longa reunião de Membros da Diretoria com representantes da empresa. Trata - se de uma parceria que está próxima de se consolidar. Nesse dia deveremos ter uma definição mais clara, mas se trata de convênio para implantação de um projeto de meliponicultura com produtores de orgânicos, e outras possibilidades.
      Com a cooperação, estaremos ainda, dando mais um grande passo para começar a formar um plantel de abelhas, e algum recurso para retornar em benefícios diretos, para os associados e para meliponicultura como um todo.

Pedra Azul - 12/03: acontecerá o Primeiro Encontro de Meliponicultura de Pedra Azul.  Na oportunidade haverá apresentações sobre: aspectos gerais da meliponicultura e ecologia, Uruçu capixaba, Caixas, Iscas e Alimentação. Neste dia inteiro de imersão será também conversado sobre um projeto de fundação de uma RRPN por parte do Instituto O Canal, destinada a ser também um santuário das abelhas nativas. Nessa RPPN será instalado nesse dia um meliponario que será utilizado pela AME-ES, e pelos associados.

Vitória  - 19/03: Encontro da AME-ES no Parque Botânico da Vale. Nesse encontro, além  de assuntos gerais relacionados aos interesses da associação, haverá também uma apresentação tratando do tema alimentação geral: xarope, bombom de pólen, pasta candi.

Linhares, 25/03:  II  MÓDULO DE MELIPONICULTURA -  Trata-se de continuidade do programa de implantação da meliponiculura na foz do Rio Doce. Será dada continuidade na formação dos moradores participantes, revisão e ampliação das colonias lá instaladas. Apresentação sobre alimentação artificial para abelhas e manutenção de colônias.










  

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

AME - ES E PMV VÃO COMEÇAR PROGRAMA DE MELIPONICULTURA EM CONJUNTO

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Parque da Fonte Grande Vitória
   
 A AME - ES vem dialogando com a Prefeitura de Vitória. Acreditamos que em breve poderemos começar a trabalhar a meliponicultura na capital em parceria com a Administração Pública. Apesar de não haver, ainda, nenhum termo de acordo oficial, as conversas se encaminham para um entendimento.

      Em 24 de janeiro fizemos visitas técnicas ao Parque da Fonte Grande e ao ao Parque Natural Vale do Mulembá. Fomos acompanhados por dois representantes da PMV, Paulo Rodrigues (quem nos convidou) e do Biólogo responsável, Felipe Bertholdi Fraga.
 
     O Parque da Fonte Grande possui 21,8 mil metros quadrados de área contínua de Mata Atlântica. Em seu ponto mais alto chega a 310 metros. Oferecendo uma bela vista Vista da Grande Vitória, atrai muitos vistantes, também pela natureza preservada.

   

Rogério Caldeira, Judismar Barbosa, Paulo Rodrigues (PMV), João Teixeira, Felipe Bertholdi (PMV)
    O Parque Natural Vale do Mulembá está situado no bairro Conquista. Conta com uma área de domínio público cercada e com segurança. Rico em Mata Atlântica, possui ainda uma área de pomar.  Na visita, percebemos de imediato a vocação do local para a meliponicultura.
 Mulembá conta com rica cobertura vegetal em 114 ha

   Em 17/02 realizamos um novo encontro: Uma reunião na Secretaria de Meio Ambiente (SEMMAN), desta vez incluindo Marco Bravo e Iara Gardenia Moreira. Ratificaram o interesse da PMV em trabalhar com a associação. 
       

Julio Barbosa, Felipe B. Fraga, João T. Santos, Marco Bravo, Rogério, Paulo Rodrigues 


       Sendo concretizada a parceria nos termos até agora conversados, um meliponario será montado nas novas instalações do Parque Natural Vale do Mulembá. Os usuários poderão utilizar o espaço para hospedar e manejar suas colonias quando necessitarem. A AME e a PMV desenvolverão, também, programas de educação ambiental com  escolas e a comunidade. 
    Também está sendo cogitado um ponto para instalação de uma uma lojinha. Poderemos também utilizar o espaço multiuso a ser construído para as atividades da associação. O referido espaço será compartilhado com outras entidades.
        
       Foi também solicitado autorização para que a AME-ES possa instalar iscas para que consiga ir formando um plantel de colonias para futura utilização em diferentes projetos.

        Ficou também conversado que a AME - ES desenvolverá em parceria com a PMV. dentro das possibilidades, um outro programa de meliponicultura contemplando moradores remanescentes na área dos Parques.

    A instalações de meliponarios como esse, e o que será instalado em Pedra Azul, são ações estratégicas da associação. É uma maneira da associação conseguir um número de colonias para poder fomentar a atividade, Seja com a instalação de meliponarios coletivos, ou repassando diretamente aos associados através de sorteios, por valores e outras possibilidades.

     Neste meliponario será possível, também, a realização de feiras, onde quem tenha colonias produtos e para repassar, e os que desejam adquirir poderão se encontrar.

     Confirmada  a loja, teremos dado mais um grande passo a favor dos criadores pois teremos o primeiro local para que possamos vender nossos produtos. O que vai facilitar adquirir caixa e outros implementos, Além de ser um ponto de contato para adquirir enxames.

     Aproveitamos a oportunidade para reforçar o nosso apelo com relação ao controle do horário de aplicação de veneno ("fumacê"). 

João Luiz Teixeira Santos.             
              

             


sábado, 18 de fevereiro de 2017

"O incrível resgate de 43 colmeias à beira da morte"


Uma equipe formada por associados da AME-ES, resgatou dezenas de ninhos em um muro que já vinha sendo monitorado  através do Conselheiro Thiago Branco, quem iniciou os primeiros resgates.

Com a situação do muro foi piorando, Thiago solicitou ajuda e os abelheiros partiram para a ação.

O muro já caindo oferecia risco. Foi derrubado no dia seguinte


A pedido do Blog, os guerreiros contaram a história: Gabriel Bouez começou os estudos a apenas seis meses, mas não fugiu da responsabilidade: 

 Ele explica que até pouco tempo não conhecia nada sobre meliponicultura:

- "Mas ainda bem que isso mudou, e graças ao meu amigo biólogo e amante das ASF, Nilton Emmerick, que me apresentou esse mundo maravilhoso das abelhas nativas! E desde então foi uma imersão profunda e de muito aprendizado, e quando percebi já estava completamente apaixonado por esses seres tão importantes... Quanto mais eu pesquisava a respeito do assunto mais me interessava, eis que surgiu em novembro de 2016 a oportunidade de assistir a uma palestra a respeito de pasto melífero promovida pela AME-ES e essa foi a primeira vez em que tive contato com a associação, e logo de cara já sabia que queria me associar também e assim o fiz. O que me colocou em contato direto com meliponicultores de todo o estado, um poço de aprendizado e experiência sem fim"... 

Em seguida, Gabriel Bouez revela a experiencia: 

"... Embora as condições climáticas não favorecessem o manuseio das colmeias... tínhamos que fazer o resgate ou as colmeias morreriam inevitavelmente... porém no domingo o clima deu uma melhorada... Estando melhor preparados e já com a experiência do dia anterior conseguimos otimizar o procedimento de resgate, contando ainda com o auxílio de mais dois associados, Vinícius Figueira e Paulo Henrique, que trouxeram mais caixas e ferramentas, além da ajuda também de alguns moradores da região... se interessaram pelo trabalho e ficaram felizes de nos ajudar, conseguimos então fazer a remoção de todas as colmeias já identificadas  no dia anterior, assim como novas colmeias que não havíamos visto. Foram dois dias inteiros de intenso trabalho e dedicação exclusiva, mas de imensa satisfação por poder salvar tantas colmeias na iminência da destruição. Ao final, metade das caixas com colmeias resgatadas foram doadas à AME-ES..., a fim de que sejam feitos trabalhos socioeducativos e de conscientização, a outra metade foi divida e realocada entre os heróis responsáveis pelo regate, incluindo os moradores  da região do muro que se dispuseram prontamente a nos ajudar, estes que terão o devido suporte e auxílio da associação no que diz respeito aos cuidados e manejo das abelhas, a fim de que a importância da preservação de nossas abelhas nativas seja repassada para o maior número de pessoas possíveis na região. 
Em minha breve vivência neste mundo das ASF essa foi com certeza a experiência de maior aprendizado e que nos coloca sempre em reflexão a respeito da quantidade de colmeias que se encontram na mesma situação de ameaça em muros ou barrancos espalhados pelo estado, assim como por todo o país. E que possamos expandir cada vez mais a nossa comunidade e conscientizar o maior número de pessoas possíveis, a fim de angariar cada vez mais anjos guardiões e protetores de nossas tão ameaçadas abelhas nativas sem ferrão!" 

Nilton Emmerick, também estava lá e explicou um pouco sobre a metodologia:

"O resgate aconteceu nos dias 3, 4 e 5 de fevereiro de 2017, em um muro que estava na iminência de cair, na cidade de Anchieta-ES.  A previsão para a demolição do muro e construção de um novo estava previsto para dia 6 de fevereiro de 2017, ressaltando a importância das ações emergenciais (resgate). Além disso, partes do muro já haviam desmoronado levando a morte de 3 colmeias na semana anterior. No local foram encontradas quase trinta colmeias de abelhas nativas. Dentre elas, a que apresentou maior abundância em número de colmeias resgatadas foi a Mirim-guaçu (Plebeia remota). Também foi encontrada uma colmeia de Jataí (Tetragonisca angustula), uma de Lambe-olhos (Leurotrigona muelleri)"...
...Participamos do resgate nos dias 4 e 5. No primeiro dia, a logística se deu da seguinte maneira. Organizamos todo o material necessário para o resgate e fomos para o local. Começamos, então, a identificar e marcar todas as colmeias que íamos encontrando. A marcação foi feita com um pedacinho de fita crepe colocado próximo à entrada de cada enxame. Neste dia, estávamos em 3 pessoas e só tínhamos 8 caixas prontas, portanto esse foi o número limite de colmeias resgatadas no dia. No segundo dia conseguimos confeccionar mais caixas, estávamos em maior número o que significou o resgate mais 17 colmeias.  
Cada resgate ocorreu da seguinte maneira: primeiramente, deixávamos próximo todo o material a ser utilizado para cada resgate. Em seguida, abríamos os blocos de concreto com o auxílio de martelos, marretas ou picaretas, tomando sempre o cuidado de não danificar a parte interna. Uma vez tendo acesso à parte interna do bloco, retiravam-se os discos de cria com muito cuidado, utilizando a faca para cortar as ceras estruturais e facilitar esse processo. Cabe ressaltar que sempre procurávamos pela rainha e caso ela não estivesse nos discos de cria, fazíamos uma busca pelo resto da parte interna do bloco. Se ainda assim não a encontrávamos, retirávamos, cuidadosamente, os potes de pólen e mel os quais estavam abarrotados de abelhas e que continham a rainha, caso não tivesse sido encontrada nos processos anteriores. Neste caso, sugamos com o sugador primeiro a rainha e depois todas as campeiras que conseguíamos, para posteriormente transferi-las para as caixinhas que eram vedadas com fita Kraft ou fita crepe. Os potes de pólen e mel eram então acondicionados nas sacolas alimentícias para posterior filtragem e reaproveitamento de cera. Ainda, no final da tarde, voltávamos aos blocos para resgatar as campeiras que haviam retornado da coleta do dia, com auxílio do sugador". 

Já Thiago Branco, foi diretamente responsável pelo salvamento. Não descansou enquanto não viu a situação resolvida. Ele reconhece o esforço e dedicação dos nossos associados:

  "só tenho a agradecer aos heróis que num esforço mutuo conseguiram salvar da destruição 43 enxames (em 8 meses de resgate). Todos os enxames do gênero trigona, entre as espécies: marmelada (Frieseomelitta varia), jatai (Tetragonisca angustula), lambe olhos (Leurotrigona muelleri), mirim guaçu (Plebeia remota).e uma quinta espécie que ainda não foi reconhecida.
Todos estes enxames permanecem na região de ocorrência (mata atlântica - ES), e sua grande maioria em torno do local retirado para que não prejudique a polinização da vegetação do entorno", Esclarece Thiago.

Isso um exemplo do verdadeiro sentido do termo resgate. É muito diferente de mera retirada de ninhos que não estão em risco que muitos denominam resgate.

 Foi necessário muito cuidado

Um muro com muita vida que se perderia

Mirim Guaçu





Postado por João Luiz Teixeira Santos - Presidente da AME - ES